À margem do infinito trabalhou em 2014 um projeto de quatro documentários com novos escritores paulistanos. Consideraram-me “escritor” e “novo” e tive a honra de ser convidado pra um dos docs. A ideia era de documentário, mas como seria bobo eu mesmo falando – porque não tenho nada pra falar – e igualmente ruim seria alguém falando sobre mim, o que surgiu foi um filme-ensaio. Expomos deliberadamente os mecanismos ficcionais, explicitamos que sempre há mediação e o que se está vendo é uma construção. Habituário trabalha o hábito e o óbito. Esclarecer nunca foi um fim. Se não entender nada, veja de novo. Se achar que entendeu, veja de novo. O que resta a fazer é refazer. Acho que é isso, sempre acabo escrevendo muito. No mais, agradeço a Cristina, Laís,Marcella, Marília, Suellen, Leonardo e Renan, o poeta. Mais: a Marianna, Grande Esteban, Gustavo e Pimentel. Também a todos da Margem, em especial ao Marcelo Vinci que fez de tudo pra tornar alguém como eu em algo digno de ser documentado. Agradeço não a participação, mas a amizade, afinal isso é contingência. Isto é o que fui:

Curta feito pelo coletivo À margem do infinito, em projeto contemplado em 2013 pelo programa VAI, com roteiro-adaptado do “Cadê ti?”

 

Este não é meu caminho. Não é aquele cujo traçado aprendi a seguir ao longo dos anos. Estações a fio de prática foram necessárias, primeiro de mãos dadas, mas logo no momento seguinte em orgulhosos passos solitários. Não é meu caminho, aquele que a intimidade já permite chamar de meu. E sigo-o porque realmente é meu, é o meu traçado, ou o traçado destinado a mim, isso nunca importou. Este não é aquele em que aprendi a permanecer mesmo diante da mais alta bruma, nos quais sempre pude manter o passo mesmo pensando em outra coisa ou até mesmo sem pensar. Agora preciso pensar, não estou mais no caminho em que sempre fui e voltei passo sobre passo. Não é mais o caminho ao qual me afeiçoei a ponto de não me sentir capaz de dizer “Eu” sem evocá-lo. Neste momento tenho muito medo, pois saí dele e para ele não sei voltar, tampouco conheço outra rota alternativa. Nem sei em que momento me perdi. Não quero ver aonde isto vai sair! Ninguém atende ao meu grito, talvez porque não ouçam, talvez simplesmente porque não entendam. Eu também não os entendo. Onde foi parar o caminho que nasce de minha morada primeira, antes mesmo de eu nela habitar? Não se trata de um princípio, antes é um precipício pelo qual as possibilidades se esvaem momento a momento. Minha voz vai se calando conforme a queda se aprofunda. Por onde se vão minhas possibilidades?

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